Amigos diletos,
é com muita alegria que encerro esse fantástico ano de 2010. O levante das classes C e D tornou viável o sonho do meu blog, um sonho acalentado à base de muita semente de linhaça e riso descontrolado.
Entrei na valsa do otimismo delirante, como a maioria dos brasileiros. Após décadas de expiação e servilismo, finalmente fechamos um acordo tácito de permanência das oligarquias no poder em troca de prazeres vulgares, baratos e efêmeros. A mentira brasileira, item fundamental do nosso portfolio de commodities, atingiu o ápice da democratização: hoje quase todos podem fingir que são bonitos, importantes, felizes e sexualmente ativos com muito pouco esforço. É um mundo autotunes.
Minha ambição desmedida tem um objeivo claro: ser a pessoa mais debochada do Brasil. Vai ser foda barrar o Paulo Coelho, mas estou fibroso nessa contenda.
Com a fama, pretendo ganhar dinheiro para financiar a minha primeira cirurgia de transplante de caráter e abandonar definitivamente essa deprimente atividade de “humorista”.
Muito obrigado pelas visitas, deixo vocês com uma mensagem importante do he-man sobre sustentabilidade e uma entrevista com TONY, meu personagem favorito.
Feliz 1983!
ENTREVISTA COM TONY, Ex- CARA A CARA

Você é um cara esquecido na memória dos brasileiros, participou de um jogo da estrela nas décadas de 80 e 90 e sumiu sem deixar rastros. Qual a sensação de sair do ostracismo?
TONY: Quando o Maron me chamou pra trabalhar no blog dele, foi um alívio. Estava numa fase de extrema dureza, agonizando em praça publica. Trabalhava no SPO, Serviço de Proteção ao Óbvio, encaminhando emails de natal com a letra de “imagine” do John Lennon para dezenas de pessoas por dia. O convite mudou a minha vida.
Me parece que o trabalho do Bruno Maron tem uma coisa meio hermética, pouco acessível. Você concorda com essa avaliação?
TONY: O Maron é uma pessoa bem tristonha e recalcada. É aquele cara feinho que ficava calado na sala de aula louco pra mostrar um quinhão de inteligência, mas na hora H, peidava pra muzenga. Tímido ressentido. Daí você vê esse texto forçosamente complexo, pomposo, com referências intelectuais, mas tudo meio confuso e sofrível. Não tem o poder de síntese, a capacidade de acessar o inusitado e a brutalidade que gostaria de ter. É um merdinha. Mas não posso deixar de admitir que ele tem feito uma trabalho lindo no campo da falsa erudição.
Você acha que ele chegará a algum lugar com esse tipo de trabalho?
TONY: Sim, talvez… Quem sabe um troféu webcomics na categoria condescendência.
E o Brasil? Você acha que o Brasil é um terreno fértil para a atividade humoristica?
TONY: O Brasil tem uma capacidade incrível de genuflexão aos modismos histéricos da sociedade de consumo, isso facilita a piada. A mentalidade leviana do capitalismo introjetou uma onda de mascarar tudo que é horripilante com altas doses de customização. Mais importante que erradicar a mendicância, é fundamental que exista um mendigo “style” falando aramaico por aí. As piadas estão pululando no ar.
Qual a coisa mais empolgante do Brasil, no momento atual?
TONY: A idade do Niemeyer, sem dúvida.
Qual a sua maior frustração?
TONY: Perdi a promoção “Alô Paris Hilton”, fiquei puto.. já tava me imaginando com aquele bicho bom da porra…




